domingo, 6 de dezembro de 2009

MUDANÇAS.semana 2

Desde a minha primeira e última visita ao blogue a vida deu mais uma volta, um novo balanço.Já estou a trabalhar. Mudei de terra e de vida. Passei a viver a dois.Duas cabeças, quatro pés, várias vontades, tempos e ritmos diferenciados: «vamos sair» «oh pá! que stressada, deixa-te ficar»«vamos limpar a cozinha, depois podemos não ter tempo» «arruma o casaco» «não me roubes as meias» «SEXO? AGORA? Mas temos o pessoal à esperA!» Tenho umas súbitas saudades do silêncio e dos tempos mornos da melancolia...mas o amor, o telefonema súbito para saber como estou e a possibilidade de contar a alguém o que me pesa na alma arrefece os ânimos independentistas!VIVA O AMOR!até já...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

ESTACA ZERO. Semana 1

A história deste meu singelo blog começada forma mais (in)esperada! Fiquei desempregada! Pois é...faço parte daqueles números completamente ignorados (a não ser por políticos da oposição à espera de um tema para espicaçar), que surgem ao compasso de uma batida regular nos noticiários da noite.
uma coisa interessante...aliás...não faço parte de nenhum número...porque não estou inscrita no Centro de Emprego, não recebo subsídio de desemprego!!!! MEU DEUS! Subitamente senti-me uma ILEGAL...uma escorraçada do sistema!!!!!!!!!!!! Pois, estive dois anos e meio a trabalhar a recibos verdes!!!!até já não ser mais necessária.
Agora acordo todos os dias e recebo calorosamente esta luz pálida do computador, abrindo para as janelas com vistas pouco largas: «net-empregos» «empregos online»!!!!! Mando curriculos e, curiosamente, tal como aqui no meu novo blog,apenas recebo de volta um grande vazio...ou um resposta enfadada (quando faço contacto telefónico).
Há pouco tempo, decidi não desesperar. Qualquer dia, deixo novamente de ser uma parasita da minha família e já volto a contribuir para o avanço deste meu pequeno país!!! até lá, tenho de ir parasitando e bebendo com os amigos, amantes e parentes mais uns copinhos de esperança. Até já
A principio é simples, anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no burburinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.

E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vazia
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


Letra e música: Sérgio Godinho
In: "Pano cru" 78